PAS 96:2026 – Food Defence: Protection and Prevention from Deliberate Acts - Eng.ª Mónica Leal

2026-06-08

PAS 96:2026 – Food Defence: Protection and Prevention from Deliberate Acts

PAS 96:2026 – Food Defence: Protection and Prevention from Deliberate Acts

A PAS 96:2026 é o principal guia britânico para proteção alimentar (Food Defence), desenvolvido pela BSI, DEFRA e Food Standards Agency.

O documento fornece orientações para prevenir, identificar e mitigar atos deliberados que possam comprometer alimentos, bebidas e respetivas cadeias de abastecimento através da metodologia TACCP (Threat Assessment Critical Control Point).

Principais novidades da versão 2026

Comparativamente à versão de 2017, a nova edição:

  • Integra o risco crescente de ciberataques (cybercrime).
  • Considera os impactos das alterações climáticas na fraude alimentar e na escassez de matérias-primas.
  • Aborda vulnerabilidades associadas às políticas de sustentabilidade, neutralidade carbónica e redução do desperdício alimentar.
  • Reforça a distinção entre:
    • Food Defence (intenção de causar dano);
    • Food Fraud (fraude para benefício económico).
  • Alinha a metodologia TACCP com o ciclo PDCA (Plan-Do-Check-Act).


Âmbito

A PAS 96 aplica-se a todas as organizações da cadeia alimentar:

  • Produção primária;
  • Indústria alimentar;
  • Transporte e logística;
  • Armazenamento;
  • Retalho;
  • Restauração.

Não aborda perigos acidentais ou segurança alimentar tradicional, que continuam a ser geridos através do HACCP.
 

Tipos de ameaças abordadas

1. Contaminação intencional (Food Terrorism)

Inclui:

  • Sabotagem;
  • Introdução deliberada de contaminantes;
  • Uso intencional de alergénios;
  • Terrorismo alimentar;
  • Extorsão;
  • Espionagem industrial.


2. Cibercrime

Ataques que visam:

  • Parar produção;
  • Bloquear sistemas através de ransomware;
  • Roubo de informação;
  • Fraude digital;
  • Comprometimento de sistemas IT e OT.


3. Fraude Alimentar (Food Fraud)

Inclui:

  • Substituição de ingredientes;
  • Diluição;
  • Adição de substâncias não declaradas;
  • Contrafação;
  • Falsificação da origem;
  • Rotulagem enganosa;
  • Venda de produtos fora de prazo.


Metodologia TACCP

O TACCP é apresentado como a principal ferramenta para avaliação de ameaças.

Perguntas fundamentais

  1. Quem nos pode querer causar dano?
  2. Como o pode fazer?
  3. Onde somos vulneráveis?
  4. Como podemos prevenir?


Ciclo TACCP

PLAN

  • Definir âmbito;
  • Identificar ameaças;
  • Avaliar vulnerabilidades;
  • Avaliar risco;
  • Definir medidas de mitigação.

DO

  • Implementar medidas;
  • Formar colaboradores;
  • Monitorizar controlos;
  • Definir resposta a incidentes.

CHECK

  • Rever eficácia;
  • Avaliar incidentes e quase-incidentes;
  • Rever informação sobre novas ameaças.

ACT

  • Melhorar medidas;
  • Atualizar avaliação TACCP;
  • Reforçar formação;
  • Rever fornecedores e parceiros.


Equipa TACCP

Deve incluir competências multidisciplinares:

  • Segurança física;
  • Recursos Humanos;
  • Qualidade;
  • Segurança Alimentar;
  • Produção;
  • Compras;
  • Logística;
  • TI/Cibersegurança;
  • Jurídico;
  • Gestão de topo.


Principais vulnerabilidades identificadas

Vulnerabilidades físicas

  • Acesso não autorizado;
  • Áreas críticas sem controlo;
  • Armazenamento inseguro.

Vulnerabilidades de pessoal

  • Colaboradores descontentes;
  • Falta de verificação de antecedentes;
  • Falta de supervisão de visitantes.

Vulnerabilidades tecnológicas

  • Sistemas sem atualizações;
  • Falta de controlo de acessos;
  • Equipamentos ligados à internet sem proteção.

Vulnerabilidades da cadeia de abastecimento

  • Cadeias longas e complexas;
  • Baixa rastreabilidade;
  • Novos fornecedores sem validação adequada.


Medidas de mitigação recomendadas

Segurança física

  • Controlo de acessos;
  • CCTV;
  • Cercas e iluminação;
  • Alarmes.

Segurança de processo

  • Monitorização de parâmetros críticos;
  • Verificação da limpeza;
  • Monitorização ambiental.

Segurança tecnológica

  • Gestão de acessos;
  • Proteção de dados;
  • Sistemas de deteção de intrusão.

Segurança do produto

  • Detetores de metais;
  • Raios X;
  • Testes laboratoriais;
  • Verificação de COA.

Segurança do pessoal

  • Verificação de antecedentes;
  • Formação em Food Defence;
  • Sensibilização para comportamentos suspeitos;
  • Restrição de acessos.


Resposta a incidentes

A organização deve possuir:

  • Plano de gestão de crise;
  • Plano de recolha (recall);
  • Plano de comunicação;
  • Contactos com autoridades;
  • Plano de continuidade de negócio;
  • Exercícios periódicos de simulação.

Fonte

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Áreas de Atuação

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Qualidade e Segurança Alimentar

Auditorias em Sistemas de
Qualidade e Segurança Alimentar